Relatório da 53ª. Assembleia Diocesana de Pastoral

Anúncio do Evangelho na Igreja e na sociedade

Na tarde de 17 de novembro de 2017 realizou-se a 53ª. Assembleia Diocesana de Pastoral no Centro de Treinamento de Lideranças (CTL), em Ruy Barbosa e se estendeu até o domingo, dia 19. Estiveram presentes cerca de 90 pessoas vindas das 23 Paróquias da diocese.

Análise dos relatórios

Frei Carlos Alberto de Queiroz, coordenador diocesano de pastoral, ao ver os relatórios das Paróquias, disse que houve um crescimento na nossa caminhada pastoral neste ano de 2017.

Sobre a Primeira Prioridade: “A Catequese de Iniciação à Vida cristã de inspiração catecumenal”, destacou que todas as comunidades de algum modo buscaram vivenciar na paróquia esta ação da prioridade IVC. Houve uma maior conscientização no processo de formação permanente das comunidades, nos catequisandos, pais e padrinhos, envolvimento dos pais na vida da CEB’s, maior participação nas celebrações, entrega dos símbolos, surgimento de novas lideranças nas comunidades. As dificuldades foram a falta de ver bem o que é a Pastoral de Conjunto, a resistência de alguns catequistas ao processo IVC, ainda tem aqueles que se contentam em receber apenas os Sacramentos. O que ajudou na evangelização foi a formação das lideranças, aprofundamento no conhecimento da Palavra de Deus, ajuda na vida litúrgica, fortalecimento da espiritualidade, leitura cotidiana da bíblia, participação na vida de CEB’s.

Sobre a Segunda Prioridade: “O Cuidado e Defesa da Vida na Dimensão Sócio Ambiental”, foram acenados o estudo sobre a Doutrina Social da Igreja, estudo sobre impacto ambiental, coleta de óleo de cozinha, conscientização sobre a preservação da Bacia do Rio Paraguaçu, seminário sobre o meio ambiente, formação com famílias e escola sobre reciclagem, limpeza das margens da represa que abastece a cidade, jornada ecológica da juventude, Laudato Si, Ato Público contra a PEC 242 e uma paróquia mencionou o acompanhamento dos conselheiros municipais periodicamente, entre outras atividades realizadas. Dificuldades acenadas foram a falta do plano municipal para coleta seletiva, carros para pegar o material separado na zona rural, falta de espaço para guardar o material, entre outras dificuldades mencionadas.

Provocações acerca das CEB’s

Padre Carlos Marçal refletiu sobre a caminhada das CEB’s em forma de “provocação e intervenção”. Primeiro, levantou muitos questionamentos em torno da vivência da fé cristã num contexto de dificuldades e fragilidades: Como aplicar o evangelho nesse contexto, oferecer alimento sólido ou levar para respostas imediatas e frágeis? Sinais da vivência da fé de nossas CEB’s se resumem na liturgia, na missa ou celebração da palavra, ou ainda, na catequese ou no Grito dos Excluídos. Critério é convidar para uma nova etapa de evangelização marcada pela alegria. O Papa Francisco nos lembra que o cristão deve ser pessoa alegre e que seguir Cristo é belo.

Segundo, cabe sermos uma “Igreja em saída”, ir ao povo, formação para fortalecer um trabalho com os conselheiros, continuar a formação Fé e Política, priorizar as comunidades, valorizar as coisas positivas para animar as pessoas a continuar, acolher pessoas em situação de vulnerabilidade, grupos de pessoas que ainda não foram inseridas na vida comunitária. Continuar o incentivo e valorização de ser membro participante e protagonista das pequenas comunidades, continuar trabalhando de forma concreta o processo de iniciação a vida cristã.

Terceiro, temos o Ano do Laicato: qual é o papel do leigo na caminhada e missão da Igreja? Conhecer as realidades das comunidades, círculos bíblicos pequenos grupos na família-formação missionária bíblica, ir ao encontro das famílias, apresentar a “Igreja e não os grupos separadamente”, em síntese, acreditar na Pastoral de Conjunto. A CF 2018: “Fraternidade e superação da violência”, criar uma cultura da paz.  Ano Eleitoral: separar política de politicagem, ter consciência de que a política e o jeito de praticar a caridade é o bem comum. É preciso dar “nomes aos bois”, não se pode votar em quem escolheu o caminho da violência e prega o ódio. Revigorar as formações fé e política, panfletos informativos.

Enfim, Pe. Carlos Marçal fez uma a proposta da valorização do profetismo,  da alegria e da festa. Para isso, no início do ano cada Paróquia deverá promover um almoço ou jantar e convidar os/as ministros/as, catequistas, coordenadores/as das pastorais, movimentos CEB’s, e neste evento entregar o livro com os 8 passos para servir com alegria. Priorizar a juventude, o combate contra a violência da mulher, a romaria da terra e das águas.

Que passos devemos dar para ser uma igreja samaritana, acolhedora, missionária caminhando em direção aos pobres, com os pobres? Citou entre tantas propostas: caminhar juntos é condição para ser Cristão (SINODALIDADE); a alegria é o cartão de apresentação do Evangelho – EG do Papa Francisco; com Jesus Cristo; o discipulado; a opção pelos pobres; a espiritualidade ecológica e os jovens são a esperança das CEB’s e da Missão da Igreja hoje.

Análise da Conjuntura:

Numa segunda parte da Assembleia é habitual fazer a Análise de Conjuntura. Rubens Siqueira coordenador da CPT do Regional Nordeste 3 deixou à Assembleia pistas de reflexão.

Partiu de uma questão “tão velha e sempre atual”: “Como pode uma elite conservadora se dar bem na modernidade?” O Brasil sempre foi detentor de matérias-primas e entreguista de suas riquezas naturais. Os vários ciclos econômicos revelam um Brasil sempre colonizado e “entregando o ouro” ao grande capital, às corporações econômicas estrangeiras. É uma agenda entreguista. Assim foi com o ciclo do “Pau Brasil”, ouro, cana de açúcar, ciclo agrícola e industrial na era moderna. Não nos livramos disso. Hoje a agenda continua: entregamos o Pré-sal, Petróleo, a Amazônia, o “nióbio” (mais valioso que o cobalto ou o “coltan” da República Democrática do Congo), as Mineradoras e o Agronegócio se apropriado indevidamente das fontes de água e das Bacias Hidrográficas. Não mudamos isso se não mudarmos nossa visão de sempre encontrar um partido ou um salvador para o Brasil. Vivemos um tempo de democracia frágil que não durou mais do que 13 anos com seus erros e acertos.  O que foi defendido a “unha e a dentes”, desde os anos de 1945 até 2016 com facilidade nesses últimos meses, tudo entregamos, tudo foi entregue por uma elite governista, cuja agenda foi salvar-se a si mesma desgraçando o Brasil.

Cresce atualmente as forças retrogradas dentro das Escolas, na mídia tradicional (Globo e afins), nas Igrejas cristãs, em certos movimentos eclesiais, nas famílias e na sociedade em geral. Eis o que considerar? Voltar a conversar com as pessoas, a dialogar com as pequenas iniciativas com o povo a partir do testemunho do Evangelho, na perspectiva da inclusão, construir uma espiritualidade que cria pontes entre as pessoas. O momento atual é de uma grande parcela do povo que vira as costas para o Deus da Bíblia acreditando nos ídolos dos “milagres”, da especulação dos sentimentos e das emoções, desvinculadas com a busca do bem-comum, esquecendo-se dos sofrimentos “e de modo algum se atormentam com a ruína da casa de José” (Miq 6,6).

 

É possível ainda sonhar
Superar o projeto do “eu e do meu”, para fugir dos subterfúgios sem saídas e sem rumo. Neste Ano Eleitoral oscilamos entre o “medo e esperança”: o medo existe, e é real, tanto quando a Esperança, mesmo oscilante, insiste em resistir. Se optarmos pelo “medo”,  colocaremos os rumos da sociedade nas mãos de um que irá desequilibrar, gerando mais exclusão e mais mortes. É apostar num ”salvador todo-poderoso”. Mas se optarmos pela “esperança” embora ainda ofuscada, pois não conseguimos vê-la, manteremos o foco na possibilidade de quem olha para incluir os pobres e ainda preservar o pouco do patrimônio que nos resta. Escolher o lado que nos proporciona, no momento,  mal menor, é manter o foco na esperança. Poucos políticos não são ficha suja. Porém, em longo prazo, embora ainda não visualizemos a luz no fim do túnel, acreditamos pela fé que nos ilumina “passo a passo”, olhando a história, não podemos desanimar: Cristo venceu o mundo (Jo 16,33). Não há nada que nos impeça de recomeçarmos novamente caminhando ao lado do povo por dias melhores.

Relato de Jesus com a samaritana

Leonilda da Cruz e Silva, é Irmã da Congregação das Irmãs do Divino Salvador, trabalha na Paróquia de Várzea do Poço – Ruy Barbosa – levou a assembléia a refletir sobre a cena bíblica do encontro de Jesus com a Samaritana. No centro da sala onde se realizou a assembléia pastoral, foi feito um ícone dessa cena bíblica. Leonilda disse que os samaritanos tiveram papel decisivo na formação da comunidade: souberam acolher em seu seio judeus expulsos de suas sinagogas e os pagãos vindos do mundo grego.

Junto ao Poço dá-se o encontro de Jesus com a samaritana que vem em busca de água. Os discípulos de Jesus vão à cidade em busca de alimentos. Jesus inicia o diálogo pedindo água à mulher. O diálogo é de uma beleza profunda, revelando a sabedoria de Jesus e uma mulher que pouco a pouco começa a “acolher o dom de Deus” que lhe é revelado por Aquele que afirma que “existe uma água que sacia a sede e daí desperta o desejo da água vida, da vida plena”. Jesus ao revelar-lhe a identidade da samaritana, leva-a a reconhecer que Ele não é apenas um profeta, mas projeta nela a nova maneira de adorar a Deus em “espírito e verdade”, desnudando seus ídolos falsos, reconhecer seus limites e pecados, tornando-a por fim, missionária.

Ao refazer sua nova visão foi à cidade para contar a toda gente, tudo aquilo que Aquele homem lhe havia dito sobre sua vida. Assim, reconhece o Messias, o Enviado de Deus e por isso, o anuncia a toda gente. Leonilda deixou à assembléia uma palavra inquietante: Faça você também a experiência de Jesus como a samaritana fez, depois vá e anuncie Jesus a toda gente. Qual a sede de nossas comunidades e qual a minha sede os meus desejos as minhas dificuldades? Nossas comunidades cristãs são capazes de ter diálogo e acolher as pessoas no estilo de Jesus, inserindo-as na caminhada de nossas CEB’s?

No Domingo pela manhã, após os trabalhos de grupos, chegamos às seguintes Prioridades:

Prioridade ad intra:

Iniciação à Vida Cristã para formar discípulos e discípulas missionários:

  1. Continuar com as ações de Iniciação à Vida Cristã com formação para uma conscientização do compromisso batismal de forma que envolva a todos no entendimento do caminho do discipulado;
  2. Encontrão das CEB’s
  3. Nas Festas dos Padroeiros (as) elaborar e trabalhar os temas voltados para a prioridade, incluindo o Ano do Laicato.
  4. Dia Festivo ao iniciar as atividades pastorais Dia festivo do leigo, refletindo os oitos passos para uma espiritualidade de comunhão e participação; (repassar o livro Resgatando a Alegria e Servir.

Prioridade ad extra:

Cuidar da casa comum e promover uma cultura de paz

Ações:

  1. Fortalecer as iniciativas de reflorestamento: Conscientização, valorização e preservação das nascentes, aderindo às campanhas de conservação das Bacias dos Rios do Paraguaçu.
  2. Acompanhar as famílias, as crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, em parceria com a pastoral familiar e da criança, buscando a prevenção ao uso das drogas licitas e ilícitas.
  3. Formar equipes de animação para estudo, aprofundamento e dinamização da CF 2018 e a Laudato Si, denunciando a violência e anunciando a paz.
  4. Realizar o Grito dos Excluídos por zonal denunciando a violência e anunciando a paz.

 

A Assembleia diocesana de Pastoral terminou com a celebração da Eucaristia presidida pelo Sr. Bispo Dom André de Witte, onde os seminaristas Claudio e Fred receberam o acolitato, seguida do almoço e com a Benção de Deus pela proteção e realização das Prioridades para o Bem viver de todas as pessoas e seres criados por Deus.

Mário De Carli –  é padre missionário da Consolata em Ruy Barbosa.

Fotos: Pe. Genival Araújo

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