Vanessa, Missionária – Nova Redenção – Ba

 

Eis me aqui, depois de alguns meses de silêncio, tantas coisas a dizer, sem saber por onde começar.

Os meus dias são cheios, muitas vezes, à noite, quando chego em casa eu prefiro ler ou assistir um pouco de TV para me distrair, fazer algo pouco cansativo e agora que estou sentada e pensando, percebo como na vida cotidiana, a mim parece de fazer tão pouco, mas depois de 4 meses desde a última vez que escrevi, tenho muitas coisas para contar.

Novembro e dezembro foram meses de avaliações e reuniões finais; a assembleia diocesana, a assembleia diocesana da PJMP, a última reunião do ano do zonal, o bingo paroquial, o retiro do grupo de jovens, sem esquecer o último dia de aula e as avaliações finais: como foi o 2016? Como podemos melhorar e quais são as intenções para este ano 2017.

Ano de mudanças: os padres, as irmãs e o prefeito; agradecemos ao passado e olhamos para o futuro com alegria e esperança, porque embora seja um ano que não chove (a última vez choveu 15 dias em janeiro do ano passado), a vida continua e espero que tudo melhore!

Chegou dezembro: Alessandra (missionária leiga em Salvador) voltou para Itália depois de um ano, uma amiga que ficou ao meu lado e me ajudou nos momentos difíceis. Massaranduba (bairro onde vivia com dois padres florentinos) foi para mim uma casa, onde poder ser mim mesma, conversar e também desabafar quando algo não estava dando certo. E não é tão fácil achar alguém pra falar os seus medos, suas dúvidas, que entende  os teus problemas e ao mesmo tempo, não te julga; e mais difícil ainda, pra estar do outro lado do mundo, imerso em uma cultura totalmente diferente. Massaranduba foi para mim o meu porto seguro, onde poder ser eu mesma, sem ter que me preocupar dos meus defeitos.

Também me despedi de irmã Alice e irmã Ana Maria, da congregação franciscana de Cristo Rei; elas mudaram cidades, como muitas vezes acontece nas congregações religiosas. Foram para mim mães, tias, amigas, irmãs, que me apoiaram e me ajudaram; nós compartilhamos momentos difíceis, mas também muitos momentos de alegria. Foram para mim a minha família, as pessoas com quem eu compartilhei o almoço aos domingos; aquelas que remendavam as minhas camisas e aquelas que chamava quando ia em outra cidade, para avisa-las que eu tinha chegado e que estava bem. Sem elas, provavelmente, esse primeiro ano de missão não teria ido tão bem.

E finalmente um abraço muito aguardado, depois de 4 anos com a minha tia, irmã missionária aqui no Brasil, no estado do Mato Grosso do Sul. Passamos o Natal juntos, conheci a cidade onde vive e vi que não importa o lugar, minha tia tem um coração tão grande e uma fé tão forte que é capaz de iluminar qualquer pessoa e tudo o que ela faz.

Depois fomos pra Mogi das Cruzes, no estado de São Paulo; é nesta cidade mágica que tudo começou e que me trouxe aqui onde estou hoje.

Encontrei tantas amigos, as meninas hoje são mulheres, esposas e mães, os meninos se tornaram homens. Alguns conseguiram mudar a vida deles, construindo uma melhor; tiveram de lutar com mais força, muitos conseguiram, outros infelizmente não.

Mas o que importa é o amor, que depois de anos continua o mesmo: ser convidada para o almoço, poder sentar-me de pernas cruzadas sobre o sofá, porque estes anos de separação foram apenas físicos, cada um de nós tinha o outro no coração.

Minha tia me perguntou se eu ia contar pra alguém o que eu vivi este mês, mas não o farei; seria como contar os segredos de meus amigos com quem compartilho a minha vida diária; histórias de prostituição, violência, drogas, prisão, mas também problemas com seus pais, com seus filhos, problemas de amor, a falta de trabalho, de saúde: é a vida, para alguns é mais fácil para os outros um pouco menos.

Voltei em Redenção e foi bom poder abraçar todos. No dia 4 de fevereiro houve a missa para acolher o novo padre e as novas irmãs, no dia 6 de fevereiro teve a primeira reunião com a equipe missionaria para organizar este ano de 2017,.

Eu não sei como vai ser, mas certamente esta experiência, está me testando. Todas as pessoas da comunidade me adotaram, mas à noite, quando fico sozinha, tenho que lidar comigo mesma, refletindo se estou no caminho certo, por respeito a mim, mas mais ainda por respeito a as pessoas que encontro todos os dias.

Alguns dias atrás ia à missa e uma menina correu a abraçar-me gritando o meu nome, então ela me disse no meu ouvido: “Eu sei que você não gosta quando eu te chamo de italiana.” Naquela noite fui para a cama serena, agradecendo a Deus por todo o amor que eu recebo e porque, como minha tia diz, este coração só pode haver mais pessoas a amar.

E durante as minhas orações vejo os rostos de todas as pessoas que conheci nestes poucos anos de vida, porque não há nada mais bonito do que saber que há Alguém para proteger todos eles.

Um grande abraço da Bahia

Vanessa, Missionária – Nova Redenção – Ba

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