MENSAGEM DE DOM ANDRÉ MÊS DE AGOSTO

Penso em vossas maravilhas, ó Senhor (Salmo 76(77))

Quantas maravilhas para agradecer a Deus em meus 25 anos de missão episcopal e na Diocese de Ruy Barbosa que celebra o seu jubileu de 60 anos.

Começo lembrando a vocação

Entendo que é sempre Deus que chama e que nós somos chamados a discernir e responder, dando livre e conscientemente o nosso sim, como Maria, e seguindo fielmente o caminho que é Jesus, como discípulo(a)s missionário(a)s, membros vivos da igreja na construção do Reino, a serviço da vida, como leigo(a)s, consagrado(a)s ou ordenados.

Só Deus sabe quantas pessoas e circunstâncias contribuíram para que eu chegasse como padre, missionário “fidei donum”, no Brasil, na Bahia, na Diocese de Alagoinhas em fevereiro de 1976. E como a percepção que a experiência missionária, de deixar pai e mãe, mas receber cem vezes mais, é vivida por padres, religioso(a)s e leigo(a)s indistintamente facilita a união na convivência e na colaboração pastoral!

Agradeço 18 anos de caminhada como padre na Diocese de Alagoinhas

Juntamente com a acolhida pelo povo baiano destaco 4 pontos que não deixo de agradecer a Deus. A convivência e o trabalho em equipe com o colega, Pe Benoni. O trabalho paroquial que significa acompanhar a vida, do nascimento até a morte, das pessoas de uma rede de comunidades, anunciando a Boa Nova, celebrando todos os sacramentos, inclusive a Ordem. Além disto o serviço específico da Pastoral Rural Diocesana que, pelo movimento da ACR-Animação dos Cristãos no Meio Rural trouxe a riqueza de serviço e contatos a nível Regional e de Nordeste. A CNBB. Não passou pela minha cabeça que um missionário de outro país ainda poderia ser chamado a fazer parte até que Deus me fez esta surpresa, mas desde o início admirei o trabalho da CNBB e a sua maneira de apresentar o objetivo geral da missão da igreja do Brasil: evangelizar “para formar o povo de Deus e participar da construção de uma sociedade justa e solidária, a serviço da vida e da esperança a caminho do Reino Definitivo”. É o equilíbrio de caminhar com duas pernas: a primeira expressa a nossa identidade e envolve todo o trabalho “interno”, a segunda a pastoral social transformadora, tão eclesial quanto a primeira.

Chamado a ser o quarto bispo da Diocese de Ruy Barbosa

No dia 23 de maio de 1994, segunda feira depois de pentecostes, Dom Jaime, bispo de Alagoinhas me chamou e leu a carta da minha nomeação pelo Papa João Paulo II. Fiquei perplexo; não sei quanto tempo passei sem reação até D. Jaime rezar “Glóra ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. No outro dia telefonei à nunciatura para informar que aceitei a nomeação e combinar que ela seria publicada no dia 08 de junho. Escolhi como lema: “Cristo sempre”. 

Tinha encontrado meu antecessor D. Mathias em vários encontros do Regional Nordeste3 apreciando suas intervenções, seu modo de relatar, conhecendo o seu jeito de rezar o terço, caminhando com o terço nas costas (assim como ele faleceu na Praça em Utinga). O administrador e o coordenador da pastoral diocesanos, Mons. Nicanor e Pe Vittorio vieram me encontrar em Inhambupe e eu vim para o encontro de agentes no CTL em julho. No dia 28 de agosto fui ordenado pelo Arcebispo de Salvador, Cardeal Lucas Moreira Neves, tendo com co-sagrantes Dom Jaime de Alagoinhas e Dom Arthur de Gent-Bélgica. No dia 18 de setembro fui apresentado para começar a missão em Ruy Barbosa pelo presidente do Regional, Dom Celso José Pinto da Silva de Vitória da Conquista.

Agradeço 25 anos de caminhada como bispo da Diocese de Ruy Barbosa

Juntamente com a acolhida pelo povo da Diocese tenho muitos pontos para agradecer a Deus.

Não tenho um colega bispo para conviver e trabalhar juntos, mas convivência com os sucessivos párocos da Paróquia Catedral Santo Antônio foi uma constante e ainda espero para os últimos meses um bispo coadjutor.  E a corresponsabilidade de todo(a)s para a missão é bem assumida nos vários níveis, da base comunitária até o diocesano, assim tenho inúmeras oportunidades, se não sempre de participação total, ao menos de momentos de presença ou rápida visita nas celebrações e atividades nas comunidades e no CTL, onde posso valorizar e agradecer o trabalho e expressar a minha confiança que “está em boas mãos”! A participação com os irmãos bispos nos encontros do Regional e na Assembleia Geral representam também uma rica partilha.

Quando era o mais novo dos bispos do Regional me coube ser o bispo referencial da juventude. Não aceitei a expressão “bispo responsável pela juventude”, também não quero ser irresponsável, mas defendo que todos os irmãos apoiam a juventude, nem sempre todos podem estar, por isso o bispo referencial os representa. Bonito e desafiador era acompanhar com os jovens o desafio e o processo da opção para um mandato partidário para transformar a sociedade e defender melhor a vida, respeitando quem tem outra opção inclusive na própria igreja.

Depois me tornei e até hoje sou o bispo referencial da CPT-Comissão Pastoral da Terra e ultimamente sou até presidente nacional da mesma. A nível de CNBB fui membro da Comissão Episcopal para a Pastoral Social Transformadora e hoje continuo no antigo GT-Grupo de Trabalho Igreja e Mineração que de GT se tornou uma Comissão Especial. Ocupa tempo; nem sempre é fácil, mas pelo compromisso e os contatos forma, abre a visão e enriquece o serviço na própria diocese. Posso dizer isto também, com gratidão, pelos anos que me laçaram para o SPM-Serviço Pastoral dos Migrantes, IRPAA- Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada, CESE-Coordenadoria Ecumênica de Serviço e pelos Encontros Latino-americanos de Estudo-Cursos para bispos do CESEEP-Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular e os 3 Encontros Intereclesiais de CEBs dos quais participei, parcialmente, de livre e espontânea vontade.

Uma diocese que caminha com as duas pernas

Uso esta expressão ou esta imagem para a realidade que encontrei: A CNBB que apresenta a sua missão evangelizadora como abrangendo estes 2 aspectos, a recém-criada Diocese de Alagoinhas onde cheguei em 1976 e a Diocese de Ruy Barbosa que tinha 35 anos quando fui nomeado seu 4º bispo, caminhando em sintonia com a CNBB.  

A partir deste ponto de vista aponto, na história ampla e rica que outros conhecem melhor, algumas maravilhas para agradecer.

Dom Mathias faleceu repentinamente em 24/05/92 e com isso a Diocese ficou pouco mais de dois anos sem bispo, mas tendo a sua caminhada evangelizadora guiada, animada e coordenada pelo Administrador Diocesano Mons. Nicanor e uma equipe formada por Pe Vittorio, Irmã Cleusa e o missionário leigo João Reis. A equipe, como a diocese, ficou sem bispo, mas não houve parada. Com a minha chegada não houve parada nem ruptura, mas continuidade, com um novo bispo acompanhando, conhecendo a realidade e a caminhada e somando…

A Diocese como um jardim, dom de Deus para um povo que dele cuida

Na nossa querida diocese, que caminha com duas pernas conforme lembrado, uma Igreja viva, de comunidades, com pastorais, serviços e movimentos, toda ministerial, que parte de Jesus Cristo e como Ele está a serviço do Reino, a serviço da vida, encontrei e encontro sempre motivos de alegria e de agradecimento a Deus e a muita gente. Não faltam exemplos.

Dom Mathias, mas também o primeiro bispo Dom Epaminondas que nos visitou e de quem pude concelebrar o Jubileu de Ouro Episcopal. Outros nomes não vou citar…

O(a)s caro(a)s irmãos e irmãs diocesano(a)s. Na Romaria Vocacional, evento da nossa festa, são mais que convidado(a)s. A festa é deles, é do(a)s filho(a)s da terra; a festa é nossa! 

O Mosteiro dos Cistercienses em Jequitibá que este ano celebra os seus 80 anos na região.

O(a)s Agentes de Pastoral, Padres, Religioso(a)s e Leigo(a)s que aqui já somaram ou estão somando forças na Missão Evangelizadora e  as Igrejas Irmãs (de outros Países e de muitos Estados do Brasil), Ordens e Congregações, Institutos Seculares que o(a)s enviaram ou a quem agradecemos o(a)s missionário(a)s que hoje aqui estão a serviço do Reino.

Os ministro(a)s leigo(a)s que não deixam a vida das comunidades com os serviços da palavra, da liturgia e da caridade depender unicamente dos ministros ordenados.

A solidariedade fraterna tanto no nível da missão evangelizadora pelo envio de colaboradore(a)s quanto no nível dos meios materiais necessários: com a pastoral do dízimo crescendo estamos a caminho, mas ainda não alcançamos o auto sustento.

As lutas por terra, água e cidadania e os eventos diocesanos e missão diocesana anuais. 

A alegria e gratidão de milhares de pessoas e famílias que receberam alguma ajuda das paróquias ou uma cisterna através da Cáritas, Agradeço todos os benfeitores, diretos ou de entidades que apoiam projetos e ainda os que lutam para políticas públicas; que Deus lhes pague a ajuda à Diocese e sobretudo aos que mais precisam, os preferidos de Jesus.

A caminhada que continua organizada nas paróquias, redes de comunidades, nos zonais e a nível diocesano.

O Seminário Bom Pastor com os 10 seminaristas ordenados e outros 10 a caminho.

A presença da vida religiosa em 13 comunidades religiosas. A ordenação de um religioso e os votos de várias religiosas filhas da diocese.

E muito mais…

No ministério ordenado me sinto como Santo André,

o apóstolo de quem recebi o nome no meu batismo.

Ele indicou para Jesus o menino com os 5 pães e 2 peixes.

Eu me sinto feliz em poder levar para junto de Jesus tanta gente

que tem tantas coisas para oferecer e Jesus abençoar…

Santo Agostinho, em cuja festa fui ordenado bispo, me lembra: 

“Aterroriza-me o que sou para vós; consola-me o que sou convosco.

Pois para vós sou bispo; convosco, sou cristão.

Aquele é nome do ofício recebido; este, da graça;

aquele, do perigo; este, da salvação.”
(Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo –

sermo 340,1:PL 38,1483-1484) – Séc V)

Ofício das leituras19/09, memória de São Januário.

+ André De Witte

28/08/2019

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